Quando o nosso corpo adoece é uma maneira do nosso inconsciente nos mostrar que algo está errado. Na maioria das vezes ele fala, mas não conseguimos, ou ignoramos sua mensagem e só percebemos a gravidade quando estamos realmente adoecidos, no ponto de procurar ajuda médica ou curas paliativas como por exemplo os “fármacos”. Quantas vezes isso já aconteceu com você e simplesmente passou batido?
Mas o que quero dizer aqui não é sobre doenças, ou de como curá-las, mas te levar a uma descoberta sobre si, saber realmente sobre aquilo que te move e coloca no seu papel como pessoa, principalmente aprender a se ouvir, saber seus limites e alcançar aquilo que mais deseja e este conhecimento todo implica principalmente reconhecer os sintomas e relacioná-los com suas emoções.
O sintoma vem como aviso, uma forma da nossa mente dizer que há algo errado acontecendo conosco, são tantas repressões ao longo da vida que não conseguimos digerir tudo, através dos anos muitos estudos psicológicos foram realizados para entender o porquê muitos dos casos em que pacientes buscavam ajuda profissional para cura de um sintoma qualquer voltavam de mão abanando e sem respostas dos consultórios médicos, levando a uma frustração e revolta com os resultados obtidos. Muitas vezes passam anos tentando descobrir o que há de errado, são visitados médicos de todos os tipos e o sintoma ainda permanece ali fiel a sua dor.
A pessoa sequer permite imaginar que seja algo relacionado as suas emoções, pois ainda existe um pré-conceito muito grande ao se falar sobre saúde mental, mas isso se dá ao longo da história e da maneira em que ela foi introduzida na sociedade a décadas atrás, uma rigidez diante ao sentir, ao ser, crenças que limitam e que acabam se arrastando ao longo das gerações, e é através dessas “aprendizagens” que muito se adoece e pouco se percebe o que realmente está acontecendo.
A forma de lidar com o sofrimento psíquico foi muito marcada de forma diferente em cada geração, onde muitos sentiam tudo de maneira silenciosa e individual, outros apresentavam uma resiliência marcada e incapacitante, e alguns até hoje se reservam emocionalmente como donos do saber, pessoas fortes que suportavam tudo e que adoecem cada vez mais sem perceber que é exatamente este emocional que está tomando as rédeas de sua vida.
Quando falamos da doença em si, no campo da psicossomática podemos relacionar cada parte do nosso corpo com um sentimento, com uma angústia ou traumas. E quanto mais se aprofunda neste campo da ciência mais se percebe a ligação entre o corpo e a mente.
Desde uma simples ansiedade até mesmo um câncer tem um fundo emocional que levou essa pessoa ao adoecimento severo, porém vale salientar que não falo de situações que acontecem rapidamente, os sintomas aparecem de forma gradual como pequenos sinais, alertando, quanto mais se ignora mais profundo se torna, até se transformar em algo sério na qual denominamos como doença.
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O surgimento da doença psicossomática e a ligação mente-corpo
As doenças psicossomáticas estão diretamente relacionadas ao controle das nossas emoções, sentimentos e principalmente do modo em que pensamos. Quando não temos controle das nossas emoções, quando passamos boa parte do tempo com pensamentos negativos vamos desenvolvendo sem perceber um desequilíbrio mental e emocional que, consequentemente, como forma de se fazerem presentes sobrecarregam as nossas funções orgânicas atrapalhando o bom funcionamento do corpo físico, um exemplo disso são momentos de estresse no ambiente de trabalho.
Ao passar por diversas questões mal resolvidas, principalmente aquelas que estão ligadas as experiências ruins além de traumas não superados, são gerados automaticamente de maneira inconsciente situações negativas, levando a um alto nível de estresse afetando diretamente o funcionamento cerebral, o que impede a liberação de substâncias necessárias para o bom funcionamento do corpo
A soma desses fatores, de ordem emocional e física, resulta em um ciclo vicioso que por sua vez vai se manifestar por meio das dores e de várias doenças físicas. Por serem inicialmente ignorados, muitas vezes o tratamento não é adequado, o que acaba por agravar com o tempo e trazer certas complicações evoluindo de forma gradativa, comprometendo silenciosamente a saúde do indivíduo de forma cada vez mais intensa.
Quais fatores emocionais e físicos mais influenciam a somatização?
As doenças psicossomáticas são reais e se fazem frequentes na vida de todos nós, e pode ser desencadeada devido a diversas situações na vida de um sujeito, o que leva a um alto nível de estresse, inicialmente suportável por ser ignorado, frases como “só estou cansado”, “é só uma dor de estomago ou um mal-estar”, “só foi uma alergia e virou uma dermatite” “ou é uma virose que peguei” mas que nunca tem fim são só exemplos habituais, porém cito aqui alguns dos fatores que mais influenciam no seu desenvolvimento.
Pessoas com maior propensão a negatividade e a distúrbios de personalidade;
Pessoas que trazem consigo questões genéticas e fisiológicas, como por exemplo uma maior sensibilidade as dores;
Pessoas que sofrem constantemente influências ambientais quanto a maneira que veem a sua vida, seja ela de forma positiva ou negativa;
A forma como as pessoas enfrentam os seus problemas do dia a dia pode interferir diretamente na percepção da própria doença e no surgimento dos sintomas físicos.
Pessoas com falta de controle e equilíbrio emocional e que apresentam dificuldades ao processar problemas psicológicos, faz com que a dor física seja o foco de que há algo errado.
Pessoas que aumentam atividades de forma a se sentirem menos incapazes na realização dos deveres. (excesso de função, de horas trabalhadas, fazer atividades pelos outros, assumir responsabilidades alheias etc.)
Pessoas que vivem com fatores como a depressão, o estresse, a ansiedade patológica, onde ambos os sintomas facilitam o desenvolvimento da somatização que vai dar origem as dores.
Pessoas que se isolam socialmente, passam por angústias e tristezas constantes simplesmente por não ter forças para compartilhar sentimentos ou conversar sobre os conflitos internos vivenciados diariamente e que vão automaticamente alimentando as emoções negativas sobre si e sobre a visão do mundo.
Pessoas que usam a dor como forma de lidar com problemas emocionais, principalmente quando têm dificuldade para resolvê-los.
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Doenças psicossomáticas: Uma visão psicanalítica sobre o adoecimento
Todos os seres humanos são constituídos de forma única e subjetiva, e a maneira que cada um de nós vivenciamos a nossa vida vai determinar como iremos enfrentar situações complexas e difíceis a ponto de reprimirmos até virar um trauma, como consequência dessa constituição como sujeitos somos seres mais ansiosos, onde a repressão de sentimentos como (raiva, medo ou angústias) se fazem presentes de forma natural a ponto de não conseguirmos identificar as dificuldades em lidar com elas.
E cada vez mais o sofrimento psicológico se faz presente, e por incrível que pareça mesmo com tanto acesso à informação cada vez mais esse sentimento é ignorado e nossa mente uma vez que não é nada “tola” dá um jeito e encontra uma forma de se fazer presente e é através de dores crônicas como:, enxaquecas, problemas gastrointestinais, doenças de pele, tremores, insônia e queda no sistema imunológico que ela vai gritar por socorro, pedindo para que alguns fatores primordiais a nossa saúde mental, sejam revistos.
E é a partir deste ponto que se faz necessária a atenção em como você tem vivenciado situações adversas do dia a dia. Experiências de vida, traumas na infância, relacionamentos abusivos seja no trabalho ou românticos, pais rígido ou ausentes, são exemplos de como somos influenciados inconscientemente.
A importância do apoio psicológico no tratamento
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Buscar apoio psicológico é o primeiro passo para que a pessoa consiga elaborar tudo o que está acontecendo consigo e consequentemente aprender a lidar com os sofrimentos que causam o seu desequilíbrio emocional, que por sua vez estão nutrindo constantemente a dor física.
Quando a pessoa está seriamente afetada pela somatização, ela estará emocionalmente fragilizada, e devido a tamanha instabilidade emocional os quadros somáticos se tornam cada vez mais graves, e isso pode agravar ainda mais seu estado psicológico. Por isso, é importante procurar ajuda especializada o quanto antes.
As pessoas que convivem com sintomas de doenças psicossomáticas, vivem extremamente ansiosos, angustiados com um misto de dor física, tristeza, e se sentem amedrontadas por não conseguir superar este quadro sozinha. Logo, se faz necessária a intervenção terapêutica multidisciplinar. Esta é a forma mais segura que essa pessoa vai encontrar para minimizar os impactos dos problemas mencionados, restaurando o seu bem-estar, sua autonomia e sua qualidade de vida.
Lucélia Perez – Psicanalista Clínica e Terapeuta Emocional
Escrito por Lucelia Perez
Do interior de SP, atualmente resido em Manaus onde atuo em clinica presencial e também online, já se conectou com pessoas de diversos países além do Brasil. Antes de se tornar Psicanalista foi Administradora de Empresas especialista em Gestão de Negócios por 20 anos. Membro da Associação Brasileira de Psicanálise Clínica ao longo dos anos tenho me especializado em diversas áreas da saúde mental como Neuropsicanálise, Psicanálise Infantil, Psicossomática, Psicopatologia, Neurociência do Desenvolvimento Infantil, Compulsões, Psicologia Clínica, além de participações em Congressos e Cursos.